[BR] Posso comprar ou vender um imóvel na Coreia sem viajar até lá?

 

Escritório moderno em Seul usado para tratar de contratos imobiliários por procuração.
Escritório em Seul, onde um representante pode acompanhar contratos e procedimentos imobiliários em nome de um proprietário que vive no exterior.

Como usar procuração, reconhecimento de assinatura e Apostila para concluir uma transação imobiliária à distância

“A data da assinatura já está marcada, meu irmão está em Seul e eu moro no Brasil. Preciso mesmo viajar até a Coreia só para assinar os documentos?”

Essa dúvida aparece com frequência entre estrangeiros e coreanos que vivem no exterior.

Talvez você tenha herdado um apartamento na Coreia.

Talvez esteja comprando um imóvel antes de se mudar para o país.

Ou talvez precise vender uma propriedade, assinar um contrato de aluguel ou concluir o registro do imóvel sem conseguir viajar.

Muita gente imagina que uma negociação imobiliária coreana não pode avançar sem a presença física do proprietário.

Em diversas situações, porém, é possível nomear alguém para agir em seu lugar.

O problema principal normalmente não é a distância.

É preparar corretamente os documentos que atravessarão essa distância por você.

Imagine uma brasileira descendente de coreanos que vive em São Paulo.

A família está vendendo um apartamento em Seul, e a assinatura final foi marcada para a semana seguinte. Comprar uma passagem de última hora significaria gastar muito dinheiro e abandonar compromissos profissionais.

Ela pergunta:

“Minha irmã, que mora na Coreia, pode assinar tudo por mim?”

Em muitos casos, pode.

Mas uma procuração genérica, uma assinatura sem a autenticação exigida ou uma diferença entre os dados do passaporte e os demais documentos pode atrasar o contrato ou o registro.


Orientação Oficial

De acordo com a Lei de Registro de Imóveis da Coreia, o interessado geralmente pode solicitar o registro por meio de um representante devidamente autorizado.

No caso de estrangeiros e coreanos residentes no exterior, poderão ser exigidos documentos adicionais para comprovar:

  • a identidade do interessado;
  • os poderes concedidos ao representante;
  • a assinatura;
  • o endereço no exterior;
  • e outras informações necessárias ao procedimento.

Explicação Simples

Você não precisa necessariamente embarcar para a Coreia apenas para concluir uma transação imobiliária.

Dependendo do caso, um representante poderá:

  • assinar um contrato de compra ou venda;
  • assinar determinados contratos de aluguel;
  • apresentar documentos;
  • acompanhar procedimentos administrativos;
  • solicitar o registro do imóvel;
  • ou cumprir outras tarefas expressamente autorizadas.

Mas existe uma diferença importante:

assinar o contrato e registrar o imóvel não são exatamente a mesma etapa.

Um contrato particular pode exigir um conjunto de documentos.

O registro da propriedade costuma exigir comprovação mais formal de que o representante realmente recebeu poderes para agir em nome do proprietário.


Quem pode ser meu representante na Coreia?

Muitas pessoas escolhem um familiar que já vive no país.

Em outros casos, o representante pode ser um advogado, um judicial scrivener, profissional coreano conhecido como 법무사, ou outra pessoa de confiança.

Não existe uma resposta única para todas as negociações.

A pessoa escolhida precisa ter poderes compatíveis com aquilo que deverá fazer.

Por exemplo, autorizar alguém apenas a assinar o contrato não significa automaticamente permitir que essa pessoa:

  • receba o preço da venda;
  • entregue documentos ao cartório de registro;
  • solicite a transferência da propriedade;
  • contrate financiamento;
  • resolva questões bancárias;
  • ou assine documentos adicionais.

Por isso, antes de preparar a procuração, a família precisa definir exatamente quais atos o representante poderá praticar.


Por que a procuração precisa ser tão específica?

Um dos erros mais comuns é escrever algo como:

“Autorizo meu irmão a cuidar de todos os meus assuntos imobiliários na Coreia.”

Essa frase parece suficiente em uma conversa familiar.

Para um procedimento formal, porém, ela pode ser ampla ou vaga demais.


Orientação Oficial

As orientações de registro geralmente exigem que a procuração identifique com clareza:

  • o imóvel relacionado ao procedimento;
  • a pessoa que concede os poderes;
  • o representante;
  • a operação que será realizada;
  • e a extensão dos poderes concedidos.

Explicação Simples

Uma boa procuração deve responder a perguntas concretas:

Qual imóvel?

Qual contrato ou procedimento?

Quem poderá agir?

Essa pessoa poderá apenas assinar ou também registrar, receber valores e apresentar documentos?

Quanto mais claramente esses pontos forem definidos, menor tende a ser o risco de o representante chegar à etapa final e descobrir que não possui autorização suficiente.

Por outro lado, uma procuração ampla demais também merece cuidado.

O documento deve conceder os poderes necessários, mas sem autorizar mais do que o proprietário realmente pretende delegar.


Preciso reconhecer a assinatura e obter uma Apostila?

Em alguns casos, sim.

Em outros, poderá ser aplicado um procedimento diferente.

Tudo depende do país em que o documento foi preparado, do tipo de documento e da finalidade para a qual ele será utilizado na Coreia.


Orientação Oficial

Documentos emitidos ou assinados fora da Coreia podem precisar de autenticação adicional antes de serem apresentados a uma autoridade ou instituição coreana.

Quando o país participa da Convenção da Apostila da Haia, a Apostila, certificação internacional da origem de um documento público, pode substituir a legalização consular coreana.

Quando o país não participa da Convenção, poderá ser necessário seguir o procedimento de autenticação consular aplicável.


Explicação Simples

É aqui que muitas famílias se confundem.

Elas pensam:

“Eu assinei diante de um tabelião. Então o documento já vale na Coreia.”

Nem sempre.

O reconhecimento ou a notarização confirma, conforme o procedimento local, aspectos ligados à assinatura ou ao ato praticado perante o notário.

A Apostila cumpre outra função: autentica internacionalmente a origem da assinatura, do selo ou da qualidade oficial indicada no documento público.

Ela não confirma que o conteúdo da procuração está correto.

Também não garante que os poderes concedidos sejam suficientes para o procedimento imobiliário coreano.

Em outras palavras:

um documento pode estar devidamente apostilado e, mesmo assim, precisar de correção porque descreveu mal o imóvel ou não concedeu os poderes necessários.


Todo documento feito no exterior precisa de Apostila?

Não se deve responder automaticamente “sim”.

A exigência pode variar conforme:

  • o país em que o documento foi emitido;
  • o tipo de documento;
  • a condição do interessado;
  • a operação imobiliária;
  • o órgão ou instituição que receberá o documento;
  • e o procedimento de registro aplicável.

Por isso, o melhor caminho não é preparar primeiro e perguntar depois.

Antes de ir ao cartório brasileiro, ao notário ou à autoridade responsável pela Apostila, envie a minuta e a relação de documentos ao profissional ou representante que conduzirá o procedimento na Coreia.

Assim, ele poderá verificar se a forma, o conteúdo e o método de autenticação atendem ao caso concreto.


Quais documentos podem ser exigidos?

A lista exata depende da transação.

Em diferentes situações, o interessado que vive no exterior poderá precisar apresentar:

  • procuração;
  • cópia do passaporte;
  • documento de identificação;
  • comprovante do endereço no exterior;
  • certificado ou declaração relacionada à assinatura;
  • documentos familiares;
  • documentos da propriedade;
  • documentos de herança, quando aplicável;
  • traduções para o coreano;
  • autenticação notarial;
  • Apostila ou confirmação consular, conforme o caso.

Uma compra, uma venda, um contrato de aluguel e um registro de herança não exigem necessariamente o mesmo conjunto de documentos.

Por isso, copiar a lista utilizada por outra família pode ser um erro.


Orientação Oficial

Documentos redigidos em idioma estrangeiro apresentados em procedimentos de registro podem precisar de tradução para o coreano e de materiais complementares, conforme as circunstâncias do requerimento.


Explicação Simples

A tradução não deve apenas “parecer correta”.

Ela precisa manter consistência com os documentos originais.

Imagine que o passaporte mostre o nome completo com dois sobrenomes, mas a procuração omita um deles.

Ou que o endereço apareça de três formas diferentes:

  • em português;
  • na versão romanizada;
  • e na tradução coreana.

Essas diferenças não tornam automaticamente a transação impossível.

Mas podem gerar pedidos de esclarecimento, correções e documentos adicionais.

Em uma negociação com data marcada, alguns dias de correção podem afetar o pagamento, a entrega do imóvel ou o registro.


E se o imóvel tiver sido herdado?

Uma procuração também pode ser utilizada em procedimentos relacionados a imóveis herdados, dependendo da situação.

Mas a procuração é apenas uma parte do processo.

O interessado poderá precisar comprovar:

  • o falecimento;
  • a relação familiar;
  • a condição de herdeiro;
  • a nacionalidade;
  • o endereço no exterior;
  • a identidade;
  • e outros elementos necessários ao registro da sucessão.

Nesse tipo de caso, o representante não resolve tudo apenas apresentando uma autorização assinada.

Ele precisa receber um conjunto de documentos capaz de demonstrar por que o proprietário ou herdeiro possui o direito que pretende registrar.


O representante pode receber o dinheiro da venda?

Somente presumir que ele pode é arriscado.

Assinar o contrato, concluir o registro e receber o valor da venda são atos diferentes.

Quando o representante também deverá receber dinheiro, movimentar uma conta, quitar uma dívida ou entregar valores, essa autoridade precisa ser analisada e descrita com cuidado.

Além disso, o banco e as demais instituições envolvidas poderão exigir documentos próprios.

Por isso, a procuração imobiliária não deve ser tratada automaticamente como autorização bancária irrestrita.

A família deve confirmar separadamente:

  • quem receberá o pagamento;
  • para qual conta o dinheiro será enviado;
  • quais documentos o banco solicitará;
  • e se o representante terá poderes financeiros específicos.

O que acontece quando o documento não é aceito?

Uma falha documental não significa necessariamente que toda a negociação será cancelada.

Mas pode interromper o procedimento até que a irregularidade seja corrigida.

Isso pode atrasar:

  • a assinatura final;
  • o pagamento do saldo;
  • a entrega do imóvel;
  • o registro da propriedade;
  • o financiamento;
  • a inscrição de uma herança;
  • ou a posterior remessa do dinheiro para o exterior.

Em muitos casos, a transação não para porque o proprietário mora fora da Coreia.

Ela para porque a documentação foi preparada sem confirmar previamente as exigências do procedimento.


Como reduzir o risco de preparar tudo duas vezes?

Antes de reconhecer assinaturas, solicitar a Apostila e enviar os originais para a Coreia, vale seguir uma ordem prática:

  1. Identifique exatamente a operação que será realizada.
  2. Defina quem será o representante.
  3. Liste todos os atos que ele precisará praticar.
  4. Confirme os documentos exigidos pelo profissional ou instituição na Coreia.
  5. Prepare a minuta da procuração.
  6. Verifique a grafia dos nomes, o endereço e os dados do imóvel.
  7. Confirme se será necessária notarização, Apostila ou autenticação consular.
  8. Providencie a tradução para o coreano, quando exigida.
  9. Envie os documentos físicos com antecedência suficiente.

Essa organização parece trabalhosa.

Mas costuma ser menos custosa do que descobrir, poucos dias antes da assinatura, que a procuração não autoriza o representante a concluir uma das etapas.


A principal lição

A pergunta não é apenas:

“Posso nomear alguém para assinar por mim?”

Em muitas situações, sim.

A pergunta mais importante é:

“Minha procuração e os demais documentos permitem que essa pessoa conclua todas as etapas necessárias sem interrupções?”

Talvez você não precise viajar até a Coreia.

Mas seus documentos precisarão chegar ao país preparados para representar você.


Perguntas para verificar antes de procurar um especialista

  • Minha operação envolve apenas contrato ou também registro do imóvel?
  • Quem pode atuar como meu representante na Coreia?
  • Quais poderes precisam ser descritos na procuração?
  • O representante poderá receber valores ou movimentar contas?
  • Minha assinatura precisa ser reconhecida ou certificada?
  • O documento precisa de Apostila ou autenticação consular?
  • Quais documentos comprovam meu endereço no exterior?
  • Será necessária tradução para o coreano?
  • Um imóvel herdado exige documentos adicionais?
  • A minuta será conferida na Coreia antes da autenticação no exterior?

Entender essa estrutura permite conversar de maneira muito mais objetiva com o representante, o tabelião, o 법무사 ou outro profissional responsável pela transação antes de enviar os documentos.


Data de referência

Verificação dos fatos: julho de 2026


Materiais usados na verificação dos fatos

  • Lei de Registro de Imóveis da Coreia
  • Orientações de registro da Suprema Corte da Coreia
  • Orientações do Ministério das Relações Exteriores sobre a Apostila
  • Materiais públicos sobre registros imobiliários de estrangeiros e coreanos residentes no exterior

Fontes oficiais

  • Suprema Corte da Coreia
  • Ministério das Relações Exteriores da República da Coreia
  • Centro Nacional de Informações Jurídicas da Coreia
  • Serviço Público de Informações Jurídicas da Coreia

Aviso

Este artigo é um guia de compreensão prévia baseado em informações oficiais disponíveis ao público. Não constitui orientação jurídica. As exigências podem variar conforme a transação, o país onde os documentos são emitidos, a condição do interessado e o procedimento de registro. Confirme a relação de documentos com a instituição competente ou com um profissional qualificado antes de reconhecer assinaturas, solicitar a Apostila ou enviar documentos para a Coreia.


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