[BR] Uma empresa estrangeira precisa pagar imposto na Coreia mesmo sem abrir uma empresa local?

 

Planejamento tributário sobre Estabelecimento Permanente (PE) na Coreia do Sul.
Executivos analisando os riscos de Estabelecimento Permanente (PE) antes da expansão de uma empresa estrangeira para a Coreia do Sul.

Como entender o risco de Estabelecimento Permanente (PE) antes de expandir para a Coreia do Sul

"Estamos planejando entrar no mercado coreano, mas ainda não vamos abrir uma empresa na Coreia. Isso significa que não teremos obrigações de imposto de renda corporativo?"

Muitas empresas estrangeiras acreditam que sim.

Na prática, não possuir uma subsidiária ou empresa registrada na Coreia nem sempre significa que a empresa não tenha presença tributária no país.

Antes de enviar funcionários, alugar um escritório ou iniciar negociações comerciais na Coreia, vale a pena entender quando essas atividades podem criar um Estabelecimento Permanente (Permanent Establishment – PE, presença empresarial tributável em outro país).


Orientação Oficial

De acordo com a Lei do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas da Coreia, uma empresa estrangeira pode ser considerada como possuindo um Estabelecimento Permanente (PE) quando exerce toda ou parte de suas atividades comerciais por meio de um local fixo de negócios na Coreia.

Entre os exemplos previstos podem estar:

  • escritório;
  • filial;
  • local de administração;
  • fábrica ou oficina;
  • armazém, em determinadas circunstâncias; e
  • determinados canteiros de obras ou projetos de instalação que atendam aos requisitos aplicáveis.

A existência de um PE depende das atividades efetivamente realizadas, e não apenas do nome atribuído ao local.


Explicação Simples

Muitas empresas concentram sua atenção em uma única pergunta:

"Já abrimos uma empresa na Coreia?"

Mas a pergunta mais importante costuma ser outra:

"O que realmente estamos fazendo na Coreia?"

Uma empresa pode atuar no mercado coreano sem constituir uma subsidiária.

No entanto, quando as atividades realizadas no país passam a ter maior relevância para o negócio, as regras tributárias coreanas podem analisar essa atuação de forma diferente.

A estrutura jurídica é apenas parte da análise.

A forma como a empresa realmente opera também tem um papel fundamental.

Imagine uma empresa estrangeira que envia uma pequena equipe para Seul apenas para conhecer melhor o mercado.

Os funcionários participam de eventos do setor, coletam informações, conversam com potenciais clientes e enviam relatórios para a matriz.

Nesse momento, o escritório pode estar apenas apoiando uma futura expansão.

Mas imagine que, algum tempo depois, essa mesma equipe passa a negociar preços, discutir condições comerciais e participar das principais negociações com clientes coreanos.

O endereço continua o mesmo.

As pessoas continuam trabalhando na mesma sala.

O que mudou foram as atividades desempenhadas.

E essa mudança pode ser muito mais importante do que a placa na porta do escritório.


Orientação Oficial

Nem toda atividade realizada na Coreia cria um Estabelecimento Permanente.

Atividades consideradas apenas preparatórias ou auxiliares — ou seja, atividades de apoio e não ligadas diretamente ao núcleo das operações comerciais — podem ficar fora da caracterização de PE.

Entre os exemplos podem estar:

  • pesquisas de mercado;
  • coleta de informações comerciais;
  • publicidade e promoção;
  • compra de mercadorias; e
  • determinadas atividades de armazenamento ou exposição.

Se uma atividade continua sendo apenas preparatória ou auxiliar dependerá da função que ela exerce dentro do conjunto das operações da empresa.


Explicação Simples

É justamente por isso que duas empresas com escritórios muito parecidos podem receber tratamentos tributários diferentes.

O que normalmente faz diferença não é o tamanho do escritório nem o cargo dos funcionários.

O ponto principal costuma ser o papel que aquelas atividades desempenham dentro do negócio.

O risco também pode surgir por meio de um agente dependente

Nem sempre um Estabelecimento Permanente está ligado apenas a um escritório ou a um espaço físico.

Em algumas situações, a forma como uma pessoa atua em nome da empresa estrangeira também pode ser relevante.


Orientação Oficial

Um Estabelecimento Permanente também pode surgir por meio de um Agente Dependente (Dependent Agent), ou seja, uma pessoa que atua regularmente em nome de uma empresa estrangeira na Coreia.

Essa avaliação não depende apenas de quem assina o contrato final.

Também podem ser considerados fatores como:

  • a autoridade efetivamente exercida na Coreia;
  • o papel desempenhado nas negociações contratuais; e
  • a realidade das operações comerciais.

Além disso, determinadas atividades de prestação de serviços e projetos de construção podem estar sujeitas a requisitos específicos relacionados ao tempo de execução.

Quando existir um tratado tributário entre a Coreia e o país da empresa, suas regras também devem ser analisadas, pois podem ser diferentes da legislação tributária coreana.


Explicação Simples

Muitas empresas acreditam que estão protegidas porque o contrato final é assinado apenas pela matriz no exterior.

Na prática, essa resposta pode ser simplista demais.

As autoridades fiscais também podem observar perguntas como:

  • Quem conduziu as negociações comerciais?
  • Quem manteve o relacionamento com o cliente?
  • Onde ocorreram as decisões comerciais mais importantes?
  • Qual era a autoridade efetivamente exercida pelo representante na Coreia?

Olhar apenas para a página de assinatura do contrato nem sempre mostra todo o contexto das operações.


Lista prática para avaliar o risco de PE

Antes de expandir suas operações para a Coreia, vale a pena verificar:

  • Nossos funcionários trabalharão regularmente em um local fixo na Coreia?
  • Estamos apenas realizando pesquisas de mercado ou também executando atividades centrais do negócio?
  • Alguém na Coreia negociará contratos ou participará de forma relevante das negociações com clientes?
  • Engenheiros ou consultores prestarão serviços na Coreia por um período prolongado?
  • O tratado tributário entre a Coreia e nosso país estabelece regras diferentes sobre Estabelecimento Permanente?
  • Antes da expansão das operações, seria mais adequado estabelecer uma filial ou uma subsidiária?

Na maioria dos casos, a decisão mais segura depende da análise de todo o modelo de negócios e não apenas de um contrato ou de um escritório.


Antes de conversar com um especialista

Ao consultar um especialista em tributação internacional, considere fazer a seguinte pergunta:

"Com base nas atividades que planejamos realizar na Coreia, existe risco de sermos considerados um Estabelecimento Permanente segundo a legislação tributária coreana ou o tratado tributário aplicável? Que ajustes operacionais poderiam reduzir esse risco antes do início das atividades?"

Planejar a estrutura antes da entrada no mercado costuma ser muito mais simples do que corrigir a situação depois que as operações já começaram.


Data da verificação dos fatos

Julho de 2026


Materiais utilizados na verificação dos fatos

  • Korea Corporate Tax Act
  • Enforcement Decree of the Corporate Tax Act
  • National Tax Service – orientações para empresas estrangeiras
  • Princípios sobre Estabelecimento Permanente previstos em tratados tributários aplicáveis

Fontes Oficiais

  • National Law Information Center
  • National Tax Service (NTS)
  • Ministry of Economy and Finance
  • OECD Model Tax Convention (referência internacional geral)

Aviso

Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e não constitui consultoria tributária ou jurídica. A existência de um Estabelecimento Permanente na Coreia depende das atividades efetivamente realizadas, do tratado tributário aplicável e das circunstâncias específicas de cada empresa. Antes de iniciar operações na Coreia, confirme sempre os requisitos legais mais recentes com os órgãos competentes e seus consultores especializados.


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